20/4/16

Gramsci e as lutas subalternas hoje: espontaneidade e organização política

Marcus E. Green   |   Este artigo tem como objetivo realizar um exame sobre a espontaneidade e a direção consciente nos escritos de Antonio Gramsci. Em contraste com as acusações de vanguardismo, busca-se mostrar que a teoria política de Gramsci é essencialmente fundada no empoderamento democrático dos grupos subalternos. Em seguida, se considerará a relevância contemporânea destes argumentos para a discussão do Occupy Wall Street e sua mudança de um ato de ocupação para uma organização permanente.

Nos Cadernos do Cárcere, Gramsci empreende uma análise crítica dos grupos subalternos, examinando suas condições, os fatores que contribuem para sua subordinação, seus modos de pensamento, cultura e seus níveis de organização política. Ele tenta identificar os fatores que capacitam e os que impedem os grupos subalternos na transformação de suas condições. No Caderno 3, §48, intitulado “Passado e presente. Espontaneidade e direção consciente”, o autor argumenta que as lutas políticas subalternas são muitas vezes caracterizadas pela espontaneidade, um fator que contribui para aspectos ineficazes e, às vezes, regressivos da atividade política subalterna.2 Por “espontaneidade”, Gramsci sugere a ação dos grupos subalternos de acordo com um impulso inquieto ou “instinto” de revolta, devido a crises ou condições inaceitáveis. Rebeliões e revoltas espontâneas dos grupos subalternos indicam descontentamento social e desejo por uma mudança sócio-política, mas tais movimentos raramente conseguem transformar as suas próprias condições. Assim, para ser eficaz, argumenta que as lutas subalternas devem ser fundadas na “direção consciente”, descrita como a atividade política informada pela teoria revolucionária e enraizada em uma compreensão sistemática das condições históricas que definem a subalternidade.