1/10/13

Antonio Gramsci e João Guimarães Rosa | Um diálogo (inter)nacional(popular)

João Guimarães Rosa ✆ Joakim Antonio
Héder Junior dos Santos  |  Este trabalho procura analisar as ideias do filósofo italiano Antonio Gramsci e do literato brasileiro João Guimarães Rosa. Primeiramente, procuramos discutir a fecundidade da incorporação das noções fornecidas pelo pensador marxista para refletirmos a importância de Rosa para o contexto do modernismo brasileiro. Em seguida, passamos a descrever o que para Gramsci seria uma arte “nacional popular” e sua capacidade de romper com o distanciamento entre o intelectual e o universo popular, destacando ocorrer na realização formal, o espaço de encontro entre o local e o universal. A partir daí, tecemos considerações sobre a trajetória de Rosa e como ela acaba por fornecer elementos motores para seu projeto artístico de inspiração popular, sobre o qual, poder-se-ia considerar que, senão combativo, pelo menos ofereceu uma interpretação peculiar acerca do esfacelamento dos valores tradicionais em pleno processo de modernização brasileira.

Gramsci e a Filosofia Política de seu tempo

Antonio Gramsci
✆ Marco Camedda
José Carlos Freire  |  O presente artigo procura refletir sobre o modo pelo qual Gramsci debate com os autores de seu tempo, a fim de recolocar o marxismo no terreno da história e da dialética. Tomamos como referência o confronto de Gramsci com o neo-idealismo italiano, representado por Benedetto Croce, e com o marxismo economicista, representado por Nicolai Bukharin. Com isso, procuraremos analisar se Gramsci seria autenticamente um marxista ou, dito de outro modo, até que ponto ele teria se afastado de Marx pela aproximação a Hegel. O confronto de Gramsci com o neoidealismo de Croce e o determinismo de Bukharin evidenciará, como veremos, sua perspectiva crítica.

A obra de Antonio Gramsci (1891-1937) representa o esforço de atualização da teoria marxista, no contexto europeu do início do século XX. A primeira parte de seus escritos, produzidos antes de ser preso pelo regime fascista em 1926, constituise de artigos diversos, majoritariamente jornalísticos. A segunda, escrita já na prisão, constitui os Quaderni del Cárcere – apontamentos feitos em cadernos escolares – e as Lettere dal Carcere – correspondências do autor escritas

A questão regional no pensamento de Antonio Gramsci e Celso Furtado

Celso Furtado ✆ Luis Trimano 
Laurindo Mékie Pereira  |  O objeto deste texto é o entendimento da chamada questão regional no pensamento de dois pensadores do século XX: o italiano Antonio Gramsci e o brasileiro Celso Furtado. Os dois autores representam duas vertentes de interpretação para uma mesma temática e foram referências importantes para o estudo e mes-mo enfrentamento, respectivamente, da Questão Meridional na Itália e da Questão Nordeste no Brasil. Evidentemente, em função da amplitude da bibliografia produzida pelos autores, bem como da que foi escrita a respeito deles e da diversidade de temas que emerge desse conjunto, o presente enfoque fará recortes, concentrando-se apenas na temática proposta e só abordando outros temas e conceitos quando eles se apresentarem imprescindíveis à compreensão do objeto em análise.

Antonio Gramsci nasceu na Sardenha, sul da Itália, no ano de 1891. Desde sua juventude foi um ativo participante das lutas políticas, tendo militado no

Globalização e políticas públicas no Brasil | Uma leitura gramsciana

Marcos Vinícius Pansardi  |  O estabelecimento de profundas reformas na educação brasileira desde a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso colocou em questão a própria existência de uma política publica independente. Até que ponto nossos governos têm realmente autonomia para perseguir políticas nacionais independentes? Existem políticas públicas nacionais? Ou apenas adaptações nacionais de políticas determinadas internacionalmente?

É muito claro que vivemos em um tempo de radicais transformações na política e economia mundiais, o que segundo alguns autores significa na prática a crise do Estadonação e o surgimento de um complexo de instituições internacionais, da substituição das diversas regulações nacionais por uma única regulação global. Isso significaria o estabelecimento de padrões mundiais que pouco a pouco se impõe sobre as diversidades locais.

O Brasil, versão gramsciana

  • Movimentos "espontâneos" de classes subalternas, concomitantes com uma crise econômica, segundo Antonio Gramsci, induzem grupos reacionários ao complô contra o governo.
Na avenida Paulista, em São Paulo, manifestantes
 pedem a volta dos militares ao poder
Claudio Bernabucci  |  Observo duas reações opostas e erradas, mas de alguma forma convergentes, ao fermento produzido no País pelas manifestações de protesto que têm agitado centenas de praças brasileiras. A dos conservadores e reacionários, bem representados pela “grande imprensa”, foi denunciada pelos setores democráticos e, no fim das contas, facilmente desmascarada. Tinha fôlego curto: simplório demais foi o jogo de cavalgar a indignação juvenil, depois de instintivo rechaço inicial, em razão meramente antigovernamental. E agora o cobertor deles