26/6/13

Gramsci e os desafios de uma política democrática de esquerda

Marco Aurélio Nogueira

No final dos anos 40, quando começaram a ser publicados, os Cadernos do cárcerede Gramsci já tinham se tornado um mito no interior da esquerda italiana: jamais haviam sido lidos mas eram usados como referência para quase todas as operações políticas que se faziam no sentido de atualizar teórica e partidariamente o movimento comunista. Gramsci era apresentado como um antecipador da renovação que se fazia cada vez mais indispensável, dirigente histórico e intelectual refinado que, nas prisões fascistas, percebera os limites teóricos e práticos da III Internacional, a complexificação e a potencialidade do capitalismo, bem como o novo caráter não insurrecional da revolução.

Havia algum arbítrio e certa instrumentalização naquela operação, explicados em boa parte pela necessidade que tinha a direção comunista (e particularmente Palmiro Togliatti, seu principal integrante) de fornecer uma tradição às classes subalternas italianas e de ligálas ao nome de grandes intelectuais antifascistas.

Sociedade Civil em Gramsci / Venturas e desventuras de um conceito

Sonia Regina de Mendonça

A Guisa de Introdução / Sem duvida alguma, como o aponta Bianchi, é evidente a existência de uma leitura hegemônica dos escritos de Gramsci, segundo a qual o filosofo e militante italiano é representado como um teórico das superestruturas, um profeta da sociedade civil “organizada” e um defensor da “conquista de espaços” na democracia (Bianchi, 2008, p. 173) Todos igualmente sabemos que o cerne desta leitura da obra de Gramsci repousa na apropriação realizada por Norberto Bobbio – de forma, aliás, bastante reducionista– do conceito de Estado do marxista sardo, onde este é tomado em um sentido “mais orgânico e ampliado”. Segundo esta apropriação a unicidade entre sociedade politica e sociedade civil, entre ditadura e hegemonia e demais díades gramscianas, é completamente rompida, erigindo-se, em seu original lugar, um suposto antagonismo entre os termos.

El artista suizo Thomas Hirschhorn construye un monumento a Gramsci en Nueva York

Thomas Hirschhorn en plena acción de trabajo en el monumento 
a Gramsci / Forest Houses, Bronx   William S. Smith.


En una mañana de verano húmedo en el patio de un complejo de viviendas del Bronx del Sur, el artista Thomas Hirschhorn se tomó un descanso de cubrir un sillón mullido con cinta de embalaje para explicar su actual proyecto a un residente local escéptico. "Hay razones prácticas, estéticas y filosóficas para hacer esto", dijo Hirschhorn. 
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Processate Gramsci! / L’imperativo punitivo potrebbe essere 'impedire l’utilizzo delle sue idee', delegittimarle

Antonio Gramsci ✆ Renzo Galeotti
Gianni Fresu

Ci risiamo, sulle ceneri di Gramsci si consuma l’ennesimo processo alla storia del partito comunista italiano. La bibliografia tesa a presentare un Gramsci tormentato e proteso verso un approdo liberale, al limite socialdemocratico, è ampia e, sebbene di scadentissimo valore scientifico, molto apprezzata. A questa si aggiungono altre tesi strampalate, sempre di taglio scandalistico e mai fondate sullo straccio di una fonte attendibile, particolarmente ambite dalle “grandi” testate giornalistiche italiane e dai programmi televisivi di divulgazione storica. Per sommi capi le richiamo: 1) Togliatti spietato carceriere di Gramsci; 2) le sorelle Schucht e Piero Sraffa (cioè moglie cognata e amico strettissimo di Gramsci) agenti del KGB assoldati da Stalin per sorvegliarlo; 3) Mussolini e le carceri fasciste che difendono, anzi salvano, Gramsci dal suo stesso partito; 4) la conversione cattolica in punto di morte dell’intellettuale sardo (attendiamo con trepida attesa le prossime rivelazioni sul Gramsci devoto di padre Pio).