18/3/13

Prefácio a ‘Vida e pensamento de Gramsci’

Maria Alice Rezende de Carvalho

Estudos sobre o pensamento de Antonio Gramsci costumam mobilizar grande número de historiadores especializados nas relações mantidas entre o Partido Comunista Italiano e a política do Komintern (Internacional Comunista) no entreguerras. Desde 1975, ano em que se publicou na Itália a edição crítica dos Cadernos do cárcere, e mesmo agora, quando começou a se publicar uma exaustiva Edição Nacional dos Escritos de Gramsci, é crescente o investimento na recuperação de fontes associadas à história do PCI, tendência consolidada com a chegada de Giuseppe Vacca à direção da Fundação Instituto Gramsci, em 1988. Com Vacca, um dos mais influentes intelectuais pós-comunistas da atualidade, o Instituto passou a abrigar novos corpi documentais, recrutou pesquisadores experientes, formou outros tantos e ampliou a circulação da revista Studi storici,

A questão democrática em Gramsci

Alberto Aggio 

Contudo, depois de um primeiro momento, Gramsci reconheceria que a questão da revolução se havia complicado em termos reais. Isto porque, entre outras coisas, as ações dos dominantes também sofreriam uma inflexão, nesse novo contexto histórico, em relação às massas, revelando que os métodos repressivos não eram mais inteiramente seguros, sendo necessário acolher, responder e controlar suas demandas e reivindicações. É desse reconhecimento que se estabelecem nos escritos de Gramsci as anotações em torno do conceito de “revolução passiva” que, por sua vez, iria estimulá-lo a pensar na necessidade de um novo tipo de direção política e intelectual para o movimento operário e comunista, que assumisse a política como elaboração consensual, positiva e de reconstrução da ação e da estratégia dos setores subalternos (ZANGHERI, 1999).