2/10/13

O conceito gramsciano de ‘revolução passiva’ e o estado brasileiro

Antonia de Abreu Sousa  |  O conceito de “revolução passiva”, “revolução-restauração” ou “transformismo” é categoria fundamental que Gramsci utiliza para compreender a formação do Estado burguêsmoderno na Itália (partindo dos fatos do Risorgimento, que culminaram na unificação nacional), para definir ostraços fundamentais da passagem do capitalismo italiano para a etapa de capitalismo monopolista e para apontar o fascismo como forma de “revolução passiva”. 

É a partir desse entendimento que utilizaremos o conceito de “revolução passiva” para discutir a modernização capitalista no Brasil, haja vista que este conceito se aplica a diversos episódios da nossa história, bem como de um modo mais geral, a transição do País para a modernidade capitalista e ao capitalismo monopolista de Estado.

O conceito de “revolução passiva” é categoria fundamental que Gramsci utiliza para compreender a formação do Estado burguês moderno na Itália.No Brasil, Coutinho (1985), defende que o conceito gramsciano de “revolução passiva”, é imprescindível para entendermos a trajetória de constituição do modelo de capitalismo brasileiro, protagonizado pelo Estado. Este conceito enfatiza a predominância do momento supra-estrutural, ou seja, do instante político, ultrapassando as visões meramente economicistas que dominaram esta discussão durante muito tempo no País.