1/10/13

Gramsci e a Filosofia Política de seu tempo

Antonio Gramsci
✆ Marco Camedda
José Carlos Freire  |  O presente artigo procura refletir sobre o modo pelo qual Gramsci debate com os autores de seu tempo, a fim de recolocar o marxismo no terreno da história e da dialética. Tomamos como referência o confronto de Gramsci com o neo-idealismo italiano, representado por Benedetto Croce, e com o marxismo economicista, representado por Nicolai Bukharin. Com isso, procuraremos analisar se Gramsci seria autenticamente um marxista ou, dito de outro modo, até que ponto ele teria se afastado de Marx pela aproximação a Hegel. O confronto de Gramsci com o neoidealismo de Croce e o determinismo de Bukharin evidenciará, como veremos, sua perspectiva crítica.

A obra de Antonio Gramsci (1891-1937) representa o esforço de atualização da teoria marxista, no contexto europeu do início do século XX. A primeira parte de seus escritos, produzidos antes de ser preso pelo regime fascista em 1926, constituise de artigos diversos, majoritariamente jornalísticos. A segunda, escrita já na prisão, constitui os Quaderni del Cárcere – apontamentos feitos em cadernos escolares – e as Lettere dal Carcere – correspondências do autor escritas
também na prisão. Desse modo, os temas diversos sobre os quais Gramsci reflete, encontram-se espalhados pelos 33 Quaderni e pelas Lettere.

Os Quaderni del Cárcere, obra tomada aqui como referência, procuram atualizar as concepções sobre a sociedade, a cultura e o Estado modernos, restabelecendo a importância de uma dinâmica processual e dialética na construção do socialismo. Ao longo dos Quaderni, Gramsci estabelece um diálogo crítico com diversos autores. Além daqueles que, por assim dizer, formam seu pressuposto teórico (Hegel, Marx, Engels, Lênin e mesmo Trotski), estão autores contemporâneos com Antonio Labriola, Alessandro Levi, Rodolfo Mondolfo, Achile Loria, Adelchi Baratono, Alfredo Poggi e Giovanni Gentile. Destacaremos, em nosso trabalho, dois autores: Benedetto Croce, na crítica ao neo-idealismo, e, mais adiante, Nicolai Bukharin, na crítica ao marxismo economicista.